Angola

Apresentação geral

A superfície de Angola é 14,5 vezes a de Portugal (1 246 700 km2) e a sua população é mais ou menos a de Portugal, com cerca de 14 milhões, mas não houve censos. É o segundo país lusófono pela superfície e o terceiro pela população. Aparece como uma transição entre a África central francófona e a África austral anglófona. Nem todos os angolanos falam português mas há uma parte importante da população que desconhece qualquer língua africana, sobretudo nas cidades maiores. Razões para uma população tão pouco numerosa em relação à superfície do país (densidade: 12 hab./km2):

  • a sangria que representa o fornecimento de escravos para o Brasil (cerca de 11 milhões de indivíduos em dois séculos)
  • guerras étnicas e anticoloniais mais do que em outra parte
  • secas e inundações
  • doenças
  • emigração
  • repressões coloniais a partir de 1961 e guerra civil (1975-2002)

O país divide-se em 18 províncias e tem como capital a cidade de Luanda.

Com uma extensão de 4.837 Km, as suas fronteiras terrestres localizam-se a norte com o Congo Brazzaville, a nordeste e leste com a República Democrática do Congo (ex-Zaíre) e a Zâmbia e, a sul, com a Namíbia e a ocidente com o Oceano Atlântico, cujo comprimento totaliza 1.650 Km. Os seus principais portos são Luanda, Lobito e Namibe (ex-Moçâmedes). O ponto mais alto do país é o Monte Moco (2.620 m), localizado na Província do Huambo (ex-Nova Lisboa). Com uma rede hidrográfica privilegiada ao nível do continente, Angola tem como principais rios o Kwanza, o Zaire, o Cunene e o Cubango. A língua oficial é o português. A moeda corrente é o Kwanza (Kzr).

Vários mapas de Angola

Os povos, ou grupos etnolinguísticos

Cada grande grupo não entende a língua dos outros. O português é a maior língua veicular.
Existem 10 grandes grupos etnolinguísticos. Os nomes dos povos variam muito conforme os autores. Existem às vezes dez nomes diferentes para um só grupo. As subdivisões também variam, e podem existir cerca de 400 “povos” diferentes.
Entre as línguas bantu de Angola, duas são inteiramente angolanas, o kimbundu e o umbundu. O kikongo também é falado no Congo Kinshasa e no Congo Brazzaville. O cokwe também se fala na Zâmbia.
Os grupos são Bantu e khoi-san. O único grupo etnolinguístico não bantu é o grupo Khoi-San, povos nómadas também chamados bosquímanes ou bushmen.

O povo Mbundu fala kimbundu (20 % da população, mas nem todos falam kimbundu)
O povo Ovimbundu fala umbundu (30 % da população)
O povo Bakongo fala kikongo (15 % da população)

A presença europeia diminuiu brutalmente de 95 % em 1975 (altura da independência). Nunca houve mais de 80000 mestiços que são pouco a pouco diluídos na população negro-africana.

Para saber mais sobre línguas de Angola

As fronteiras

As fronteiras de Angola não foram determinadas pelos angolanos mas por acordes entre as potências ocidentais antes do século 20 (de 1885 a 1891), potências que se partilharam todo o continente africano. Estas partilhas em nada consideravam os interesses da população autóctone. Em muitos casos as fronteiras separaram populações do mesmo grupo étnico e por vezes da mesma tribo. Todas as considerações de carácter humano foram ignoradas, “como se de galinhas se tratasse”. Explica-se assim o facto de as populações atravessarem as fronteiras com a maior facilidade. Até hoje pouco significam as fronteiras para os africanos. Mudam de país conforme as condições (políticas, climáticas,…). As autoridades são incapazes de se opor a estas deslocações devido a extensão das fronteiras. O HCR é muito activo em África.

História

Os contactos são antigos e a colonização é recente. Não houve cinco séculos de colonização portuguesa em Angola. A sua função principal no império português, senão a única, foi fornecer escravos ao Brasil até ao século 19.
1482-83 : Diogo Cão chega ao rio Zaire (Congo) e começam as relações com o reino do Kongo. Diogo Cão assinala toda a sua costa com padrões no período compreendido entre 1482 e 1486.
1576 : Paulo Dias de Novais funda a cidade de Luanda. O rei Mbundu é chamado Ngola. O nome é dado à região : Angola.
Tomada de Luanda pelas armadas holandesas em 1641. Para a retomada da Cidade e restauração da autoridade portuguesa, o Rei de Portugal, D. João IV, ordena a organização de uma esquadra, cujo comando é confiado a Salvador Correia de Sá, que no Brasil granjeou grande prestígio e respeito como governante e chefe militar. Com uma armada de 12 navios e 1.200 homens, Salvador Correia de Sá retoma a Cidade de Luanda, em 15 de Agosto de 1648.
Até finais do século XVIII, Angola funciona como um reservatório de escravos para as plantações e minas do Brasil. A ocupação dos portugueses confina-se às fortalezas da costa. Os antigos pontos de comércio e de presença militar constinuem como que um arquipélago de crioulidade : feiras, feitorias, presídios, fortalezas. O comércio, organizado hierarquicamente a partir da costa, penetrou o continente muito além da presença portuguesa, com o sistema de pumbeiros, ou pombeiros (comerciante ambulante, negro ou mestiço), aviantes (que fornecem a mercadoria) e aviados (que representam o aviante).
Em 1845, havia apenas 1832 brancos civis em Angola, 9000 em 1900, mas 400 000 em 1973. 95 % deixaram o país depois da independência, em 1975-76. De 1848 a 1926, contaram-se 189 operações militares com cada vez milhares de soldados portugueses, o que dá uma ideia da dificuldade de penetração do interior, visto que só se considerou ocupado inteiramente o território em 1926.
A colónia de Angola passa a ser “Província Ultramarina” em 1951 e mais tarde, com o governo de Marcelo Caetano “Estado de Angola”.
O indigenato, a assimilação, o trabalho forçado ou contrato
Durante o período colonial, a lei distinguia o colonizador do colonizado. O africano (o “indígena”) podia obter a nacionalidade portuguesa tornando-se “assimilado” ou civilizado, em oposição ao indígena. Um percentagem muito fraca do população atingiu o estatuto de assimilado. O trabalho forçado, chamado simplesmente “contrato”, aparece como uma versão moderna da escravatura. Vigorou de 1928 a 1962.
1961: Início da luta armada de libertação (até 1974). Desde o início da luta armada, existiu outra guerra, entre os movimentos de libertação. Desde a criação da Unita, em 1966 : rivalidades entre o MPLA, a UNITA e a FNLA.
Descolonização rápida até à independência, entre 25/04/74 e 11/11/75.
“Segunda guerra de libertação” contra os sul-africanos.
1991 : acordos de paz de Bicesse entre o MPLA e a UNITA, seguidos dum período de paz de um ano e meio. 1992 : as primeiras eleições livres.
1993 : o pior balanço da guerra civil
1994 : acordos de paz de Lusaka.
2002 : fim da guerra pela morte de Savimbi a 22 de Fevereiro. Desde 2002 : não-guerra e não-paz (violências em Cabinda).
Vitória do MPLA nas eleições legislativas de 2008, e também nas eleições de 2012.
O MPLA tem ficado no poder desde o dia 11 de Novembro de 1975.

Geografia e economia

A orografia e as características climáticas de Angola originaram uma grande diversidade da vegetação de norte a sul e existe uma grande variedade de espécies de árvores e plantas. No enclave de Cabinda, predomina a floresta densa e húmida, rica em madeiras exóticas e onde se encontram ainda gorilas. A Sul do Congo e nas bacias do Kwanza (960 km), Kuango, Cuito e afluentes do Cassai, é a savana. Na zona do planalto central predomina a floresta aberta. Mais a Sul encontra-se a zona desértica do Namibe onde se pode encontrar uma espécie vegetal, única no Mundo, a Welwitshia Mirabilis. O Cunene (945 km), o Cubango (Okavango), e o Queve.

O desenvolvimento económico só se iniciou de forma sistemática, em finais do anos 1930, quando se organizou a produção de café, sisal, cana do açúcar, milho e outros produtos. Tratavam-se de produtos destinados à exportação. As produções cresceram gradualmente até 1974 e ainda hoje (2013) não se recuperou o nível de produção atingido em 1974. Para além destes produtos, desenvolve-se a exploração dos minérios de ferro. O desenvolvimento destas explorações, foi acompanhado por vagas de imigrantes incentivados e apoiados muitas vezes pelo próprio Estado. Entre 1941 e 1950, saíram de Portugal cerca de 110 mil imigrantes com destino às colónias, a maior parte fixou-se em Angola. O fluxo imigratório prosseguiu nos anos 50 e 60.

O subsolo angolano contém quase todos os minerais :
Petróleo : Cabinda, Soyo
Diamantes : Lunda
Ferro : Cassinga
Manganês : Malange
Cobre : Uíge
Mármore, granito, pedras preciosas e semi-preciosas, do lado do Namibe.
Ouro, urânio, etc.
Zona exclusiva de pesca até 200 milhas náuticas.
Angola é um dos países mais pobres do mundo, embora tenha as condições para ser um dos mais ricos : clima favorável, hidrografia permitindo irrigações e energia hidroeléctrica, subsolo riquíssimo. Faltam a segurança, a mão de obra qualificada, além de que Angola tem as deficiências típicas dos países em via de desenvolvimento.

Um dado novo na economia angolana é a cooperação com a China, comum a muitos países africanos.

Angola teve a maior taxa de crescimento económico do mundo em 2007 devido às exportações de petróleo e de diamantes essencialmente, e continua com taxas de crescimento anual acima de 10%. O índice de desenvolvimento humano aparece em contraste muito baixo : 148/187 (em 2011).

A educação

Entre os factores de desenvolvimento, destacamos a educação e a saúde. Só 35% das crianças concluem a escola primária. Existe apenas uma universidade pública no país. A alfabetização dos adultos acima de 15 anos chega a 70%, o que pode ser considerado um bom indicador. “Angola deveria repensar a sua política orçamental da educação e favorecer mais o ensino primário.” (Unesco)

A saúde

A situação sanitária em Angola é uma das piores do mundo. A expetativa de vida é uma das mais baixas do mundo, à volta de 40 anos conforme as estimações. A mortalidade infantil é elevada.

Canções

Duas canções angolanas : Muxima por Ngola Ritmos, e Muimbu ua Sabalu por Rui Mingas :

  • Poema Muimbu ua Sabalu de Mário Pinto de Andrade, e tradução : Muimbu ua sabalu

Ecoutez Rui Mingas chantant Muimbu ua Sabalu

  • Letra da canção Muxima e tradução : Muxima

Ecoutez Muxima par le Duo Ouro Negro

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